O Trenzinho Caipira

Bidu Sayão - Bachiana nº 5 - Cantilena

Villa-Lobos
Brisa Vesperal

O período de vida de Heitor Villa-Lobos(1887-1959) foi um dos mais conturbados da história do Brasil e do mundo. Época de grandes transformações, da busca da tal modernidade e da tão desejada brasilidade, da negação de parâmetros considerados conservadores e entraves para o as novidades, de movimentações políticas que tornariam decisivos os rumos das sociedades. O final do século XIX e o início do século seguinte foram talvez, os únicos momentos em que as rupturas com o passado foram determinantes na estética e na visão de mundo do Ocidente.


Heitor Villa Lobos

Em música, o surgimento dos atonalismos desencadeou uma nova forma de compor e pensar sobre harmonias e melodias, sobretudo na Alemanha e na França. E esse era o problema, uma vez que os parâmetros, por mais que tenham sido rejeitados como regras, vinham da Europa e se disseminavam por todo Ocidente. Era também um conflito, principalmente quando se tratava da busca de uma identidade nacional. As Américas deveriam buscar suas identidades em seus colonizadores?

Com Alberto Nepomuceno aconteceram as primeiras tentativas da busca de uma linguagem nacional, através do romantismo brasileiro, do caráter modinheiro e do uso das temáticas nacionais. Entretanto ampliaram os debates em torno dessa idéia de nacionalidade e buscaram, necessariamente, subsídios histórico-musicais para a compreensão da possível brasilidade.Tradição versus ruptura: no universo da linguagem musical essa seria a primeira problemática para se discutir a questão do nacionalismo musical brasileiro.

E foi nesse momento que Heitor Villa-Lobos tornou-se um dos precursores dessa brasilidade: seria como olhar duas obras de Tarsila do Amaral, Abaporu e antropofagia, ambas de 1928. Nelas nascia, grosso modo, Villa-Lobos. Isso significou ir à Europa, mas depois de viajar pelos lugares mais distantes, quase inexistentes, do Brasil. Ir conhecer Edgar Varèse, não para aprender, mas para ouvir e ensinar. Essa é a fronteira em que Villa-Lobos percorreu suas partituras e suas peregrinações melódico-harmônicas; aproveitou o máximo das práticas musicais européias e as entrecruzou com as tradições orais e históricas do Brasil. Foi um índio de casaca que manipulava a batuta e um bom selvagem que dominava o contraponto bachiano. Nesse mês de novembro lembra-se os 50 anos de morte desse mestiço que entrou para o hall do grandes músicos da arte mundial.

 

 

A obra de Heitor Villa-Lobos permanece consagrada como uma das maiores estéticas clássicas das Américas do século XX. Parte de suas músicas é influenciada por suas viagens pelo Brasil, quando se impressionou pelos instrumentos locais, cantigas de roda e repentistas. A experiência serviu como base para composições como "O trenzinho do caipira", "Bachianas brasileiras", "Miudinho", "Cair da tarde" e "Uirapuru".

Segundo crônica do escritor Carlos Drummond de Andrade publicada na época da morte de Villa-Lobos, “Era um espetáculo [sua obra]. Tinha algo de vento forte na mata, arrancando e fazendo redemoinhar ramos e folhas; caía depois sobre a cidade para bater contra as vidraças, abri-las ou despedaçá-las, espalhando-se pelas casas, derrubando tudo; quando parecia chegado o fim do mundo, ia abrandando, convertia-se em brisa vesperal, cheia de doçura. Só então percebia que era música, sempre fora música”.

O filho do funcionário da Biblioteca Nacional e músico amador Raul Villa-Lobos e da dona de casa Noêmia Villa-Lobos nasce em 5 de março de 1887 em Laranjeiras, Rio de Janeiro. A partir de 1892, ele reside com a família em cidades do interior dos estados do Rio de Janeiro (Sapucaia) e Minas Gerais (Cataguazes e Bicas). Conhece modas caipiras e tocadores de viola. Volta ao Rio de Janeiro e aprende a tocar clarinete e violoncelo.

Villa-Lobos termina os estudos básicos no Mosteiro de São Bento. Conhece músicos populares famosos como Catulo da Paixão Cearense, Ernesto Nazareth, Anacleto de Medeiros e João Pernambuco. Em 1905 começa a visitar os estados do Espírito Santo, Bahia e Pernambuco e conhece engenhos e fazendas do interior em busca do folclore local, além de explorar a selva amazônica.

O ano de 1915 marca o início da apresentação oficial de Villa-Lobos como compositor, com uma série de concertos no Rio de Janeiro. O artista compõe suas primeiras peças para violão - Suíte popular brasileira -, sinfonias e os bailados Amazonas e Uirapuru. Aceita participar em 1922 da Semana de Arte Moderna, realizada no Teatro Municipal de São Paulo, onde apresenta "Danças características africanas".

Viaja a Paris financiado por amigos no ano seguinte, onde é apresentado ao meio artístico parisiense com sucesso. Em 1924, em função de um drástico corte no orçamento, Villa-Lobos é forçado a voltar ao Rio de Janeiro. Só retorna à capital francesa em 1927 depois para uma temporada de três anos, desta vez em companhia de Lucília Villa-Lobos, sua esposa. Ganha prestígio internacional e apresenta composições em recitais, além de reger orquestras nas principais capitais europeias.

Volta ao Brasil provisoriamente em 1930 para a realização de um concerto em São Paulo. Villa-Lobos apresenta um revolucionário plano de educação musical à Secretaria de Educação do respectivo Estado. A aprovação do seu projeto garante seu retorno ao Brasil.

Cria o Conservatório Nacional de Canto Orfeônico, que forma candidatos ao magistério orfeônico nas escolas primárias e secundárias, além de promover trabalhos de musicologia brasileira. Em 1944, o compositor viaja aos Estados Unidos para reger as orquestras de Boston e Nova York. Funda ainda a Academia Brasileira de Música.

Já no Brasil em 1959, participa das comemorações do aniversário do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Com a saúde abalada, é internado para tratamento. Morre em 17 de novembro em decorrência a um câncer na bexiga.

 

Fontes: http://www2.tvcultura.com.br/radiofm/; Youtube; WindsFilmesBRASIL 2008;http://www.tvcultura.com.br/villa-lobos/biografia



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