Carlyle e a Revolução

Dentre as obras de Thomas Carlyle a obra-prima é, por consenso universal, a "Historia da Revolução Francesa", marco da historiografia romântica.

Um épico, em meio ao tumulto e a catástrofe da grande revolução que encerrou uma era e iniciou outra. As suas narrações são relampejantes. As suas figuras são recortadas em traços rápidos, marcantes com uma inteligência e humor fora do comum.

Eugène Delacroix - La Liberté guidant le peuple

Quando Charles Dickens lançou em 1859 "Um Conto de Duas Cidades", tratando de temas como culpa, vergonha e retribuição, a principal fonte para escrever com fundo histórico é o livro de Carlyle.

O momento histórico em que o antagonismo entre a verdade revelada e o conhecimento racional-científico tornou-se mais evidente foi durante a Revolução Francesa.

Music for The French Revolution,Concerto Koln

Assim narra Carlyle: “Naquele dia, mal havia acabado a dança (…) e chegam o procurador e membros dos conselhos municipais e departamentais, e com eles a mais estranha bagagem: uma nova religião! Trazida aos ombros num palanque (…) com coroa de carvalho, aparece Demoiselle Candeille da Ópera, mulher bela de se ver (…) ostentando na mão o cetro de Júpiter (…) Que o mundo repare nisto! Eis ó Convenção Nacional, assombro do universo, a nossa divindade; a Deusa da Razão, digna e única de ser reverenciada. A ela, de hoje em diante, nós adoraremos”. Naquele dia ainda “seguiu-se a queima pública da Bíblia…” A razão tornou-se uma loucura irracional e nunca, nem antes nem depois, ela foi a panaceia universal que seus idolatradores desejaram."

Ouverture des États généraux, à Versailles dans la salle des Menus Plaisirs, le 5 mai 1789

Author Isidore-Stanislaus Helman (1743-1806) and Charles Monnet (1732-1808)

Carlyle: “A mim parece-me que, se houvesse a História correta (essa coisa impossível que chamo de História) da Revolução francesa, ela seria o grande poema de nosso tempo, como se os homens que pudessem escrever a sua verdade valessem tanto quanto todos os outros escritores e poetas”.

O Autor

Thomas Carlyle, escritor, historiador e ensaísta escocês, nasceu na cidade de Ecclefechan, Escócia, em 4 de dezembro de 1795 e faleceu em Londres, em 5 de fevereiro de 1881.

Educado para ser pastor protestante, estudou na Universidade de Edimburgo. Em 1817, ao ler "De l' Allemagne", de Mme. de Staël, ficou fortemente impressionado pela literatura e filosofia alemãs, dedicando-se ao estudo da língua para ler os autores no original. Traduziu "Wiljelm Meister", de Goethe e escreveu uma "Vida de Schiller", além de uma história da literatura alemã, que deixou inacabada.

Portrait of Thomas Carlyle 1795-1881 By T. Henderson

A publicação de "Sartor Redartus", romance bastante original, não despertou grande atenção, enquanto que "História da Revolução Francesa", publicada algum tempo depois, marcou o início de seu imenso prestígio como escritor. Considerada sua obra-prima, é também considerada um importante marco na historiografia romântica. Por essa época também escreveu, "Chartism", de 1839 e "Past and Present", de 1843.

Sua ideia de que a história pode ser interpretada através da vida dos heróis e dos chefes serviu-lhe de base para uma série de obras importantes: "Oliver Cromwell's Letters and Speeches" (Cartas e discursos de Oliver Cromwell), de 1845; "Life of John Sterling" (Vida de John Sterling), de 1851; "History of Frederic II of Prussia" (Vida de Frederico II da Prússia), que escreveu entre 1858-65.

Marat assassinated. Jean Paul Marat's dead illustrated by Jacques Louis David (1793)

Em 1865, Carlyle foi nomeado reitor da Universidade de Edimburgo e ali recebeu a notícia da morte de sua esposa. Escreveu então "Reminiscências", em 1883 e "Cartas e Memórias de Jane Welsh Carlyle".

La Fayette and Marie Antoinette 6th october 1789
Anônimo - Old engraving

Carlyle foi um dos poucos filósofos que testemunharam as transformações sociais produzidas pela Revolução Industrial; apesar disso, manteve uma visão do mundo transcendental e não-materialista. Suas obras incluíram a capacidade transformacional das pessoas dentro do campo religioso, ao lado da literatura e da ciência política. Na visão de Carlyle, somente os indivíduis dinâmicos poderiam produzir e dominar os eventos através de suas energias cativantes e espirituais: uma vez que as fórmulas ideológicas substituíram o papel do "herói", a sociedade tornou-se desumanizada. Essas ideiais foram influentes no desenvolvimento do Socialismo, mas segundo alguns estudiosos de suas obras, também foram determinantes na criação do Fascismo.

Attribué à Jacques-Louis David, Le Serment du Jeu de Paume, le 20 juin 1789

Le Serment du Jeu de Paume, œuvre éminemment maçonnique.

1. Bailly (Neuf-Sœurs), 2. Sieyès (NS), 3. Grégoire (NS), 4. Rabaut (NS), 5. Dom Gerlé (NS), 6.Guillotin (NS), 7. Dubois-Crancé, 8. Mirabeau, 9. Barnave (NS), 10. Dauch, 11. Maupetit, 12. Barère, 13. Garat (NS), 14. Prieur, 15. Le Chapelier, 16. Mounier

Carlyle, em seus últimos anos de vida, rompeu com velhos amigos e aliados, sobretudo Mill e Emerson. Sua crença na importância da liderança heróica foi explicitada em seu livro "Sobre Heróis: O heroismo e a veneração do herói na História", na qual ele compara uma grande gama de figuras heróiscas de diferentes tipos, incluindo Oliver Cromwell, Odin, William Shakespeare e o profeta Maomé.

 

Thomas Carlyle, The French Revolution // Chapter 7, "Not a Revo..

 

CARLYLE, Thomas. A Revolução Francesa, 1837

Fonte: http://www.skoob.com.br/livro/150921-histOria_da_revoluCAo_francesa; Thomas Carlyle. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014. [Consult. 2014-06-01].
Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$thomas-carlyle>.; http://www.editoralandmark.com.br/autor.asp?k=44

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