"Adventures in Genius"
Grandes Poetas

Em 1931 a Garden City Publishing de Nova York lançou Great Men of Literature, "Adventures in Genius", obra de Will Durant (5 de Novembro, 1885 - 7 de Novembro, 1981), filósofo, historiador e escritor norte-americano, considerado um dos mais expressivos teóricos do século XX. Nesse livro, ele relaciona os dez maiores pensadores, os dez maiores poetas e os cem melhores livros para formação.

A seguir os dez maiores poetas, tradução Monteiro Lobato:

1. Homero

Muitos anos atrás, na Rússia, tive ensejo de observar a origem da poesia. Tínhamos resolvido estudar os russo em seu ambiente, e fiquei por uma semana no "isba" da família de nosso guia, em Chernigov. No primeiro dia os habitantes da aldeia nos olharam com desconfiança; alguém lhes havia dito que éramos ladrões de crianças. Mas no segundo dia juntaram-se, à noite, á frente da nossa casa para uma sessão de música e dança ao ar livre; e, sentados em bancos ou na relva, ouvimos um velho cebo barbudo cantar ao acompanhamento de sua "balalaica", coisa do folclore local. Era uma narrativa queixosa, sempre finalizando num tom menor que provocava a continuação do relato, como um alentado volante cujo ímpeto do movimento repetido basta para fazê-lo dar outra volta. Ao contemplar aquilo tive a sensação de Homero a cantar para os gregos a queda de Tróia.


ILIAD - HOMER, THE

Desta maneira simples e musical, com o ritmo a ajudar a memória, o homem transmitiu e ornamentou a sua história antes de aparecer no mundo a escrita. Nos dias dos deuses a história tinha sublimidade bastante para merecer as honras de poesia; a história do amor e da guerra, refulgente com a celestial co-participação das divindades, reuniu as narrativas de muitos bardos ambulantes na épica que conhecemos como a Ilíada e a Odisséia. "Homero" foi provavelmente um dos rapsodos que cantaram esses versos comemorativos, demos o seu nome a todos os poetas que compuseram tais cantos porque gostamos da unidade e desadoramos a fragmentação da verdade. A literatura de cada nação começa com épicos assim - "vedas" ou "sagas": Ramayanas, Mahabaratas, Niebelungenlieds, Beowulfs ou Canções de Rolando; são tão naturais para uma nação como é uma infância para o indíviduo; tomam o lugar daquelas histórias patrióticas nas quais nosso país está sempre com o direito, vence todas as guerras e é sobretudo o bem-amado de Deus.

Parece sem importância que os contos de Homero não representem a verdade, que seus homens e mulheres - bem como suas deidades - sejam aparentemente criaturas de sua fogosa imaginação: tudo está tão bem inventado e tão vivamente contado, que se a verdade o não aprova tanto pior para ela. A beleza tem tantos direitos quanto a verdade: e a Ilíada é muito mais importante do que a guerra troiana. Admitamos que não passe Helena de um nome, ou de uma inspiração diplomática e que o objetivo real da guerra foi por parte dos gregos a conquista de um porto estratégico, não obstante, sete Tróias jazem soterradas enquanto Helena é um imortal sinônimo da beleza. Poderoso bastante para lançar cem mil livros sobre o maior dos oceanos - a tinta.


Trojan War

Também não importa que esses antigos épicos não sejam complicados em arte ou pensamento: eram dirigidos aos ouvidos, não aos cérebros. Eram dirigidos ao povo, não à elite. Tinham de ser compreendidos à proporção que recitados.

Hoje levamos vida intricada e freqüentemente introversa, vida para a qual a ação, como a compreendiam os gregos, é uma exceção. Vida baseada na imprensa e coletada de longe: o homem é hoje um animal que pará e pensa. Por isso a nossa literatura tornou-se analítica de motivos e pensamentos: é nos conflitos mentais que encontramos as mais terríveis guerras e as mais negras tragédias. Mas no tempo de Homero a vida era ação. E Homero era o profeta da ação. Seus versos e estilo são ditados pela ação: através de turbulentos hexâmetros a história flui com impetuosa corrente: de modo que (depois de aprendermos a genealogia dos deuses e heróis) somos agarrados pelo poema como por um Niagara.

2. Davi

Assim, é Homero a minha primeira escolha; mas não me atrevo a prosseguir antes de enfrentar a inevitável pergunta: "Qual vosso critério para definir a grandeza de um poeta?" Penoso dilema! Porque se adoto algum teste objetivo, independente de meu gosto pessoal, perco o ímpeto da aventura e suprêsa que pode advir duma alegre rendição ao gosto pessoal. E o único teste objetivo é a fama ou a influência; este critério, aceitável na escolha dos grandes pensadores, já o não é em se tratando de poetas. Como pensar na classificação de poetas contemporâneos de acordo com sua fama ou influência? Quem indicaria o amável e melodioso Longfellow como o nosso maior poeta unicamente porque maior número de pessoas o ouvem com maior prazer do que ás heresias de Whitman? Não; não pretendo aqui revelar meus preconceitos, escolhendo nome que, mais que outros, me têm elevado pela música, pela emoção, pelo imaginoso ou, em suma, pela poesia.

E assim sendo apresso-me a colocar o nome de "O Salmista" logo após ao de Homero. Quem foi ele não o sabemos, exceto que não foi Davi. Davi não passava de um fascinante bandido que enriqueceu pela pilhagem, usurpou o trono de Saul, raptou a mulher do próximo, infrigiu todos os mandamentos e acabou honrado pelos pósteros como o piedoso autor dos Salmos. Esses "Cantos de Louvor", pórem, haviam sido compostos por muitos, menos por ele, acumularam-se durante séculos no Templo de Jerusalém e foram consolidados cento e cinqüenta anos antes de Cristo, ou um milênio depois da morte de Davi.

Mas não importa quem os escreveu, nem quando surgiram; basta que existam como a mais profunda lírica de todas as literaturas, tão plenos de êxtase que ainda os inimigos de todos os dogmas sentem na alma a estranha impressão de sua música. É verdade que são muito lamuriosos; que antecipam o espanto de Jó ante ao sofrimento do justo e a prosperidade do mau; que deprecam excessivamente a punição dos inimigos; que ora bajulam Jeová com rasteiro louvor, ora o acusam de negligência (X; 1; XLIV), e geralmente pintam o Deus dos judeus como um terribilíssimo chefe guerreiro (XII, 3; XVIII; 8, 34, 40; LXIV, 7).


Freiras clarissas entoando salmos

E, no entanto, em meio desses hinos de guerra, quanta ternura lírica de humildade e mágoa! "Para o homem, seus dias são como a relva; como uma flor do campo, assim ele floresce. Porque o vento passa-lhe por cima e o leva; e o lugar que ocupou não conhecerá mais". Nunca o sentimento religioso foi tão poderoso e belamente expresso; com a língua que, se em inglês permanece modelo de simplicidade, clareza e força, em hebraico ressoa com ampla majestade; com frases de uso corrente; com paixão imaginosa e rica, como a do Oriente. São os cantos mais belos que existem e os de maior influência; por dois mil anos comoveram os homens; não admira, pois, tenham sido o consôlo dos judeus no exílio e dos pioneiros que forjaram a América.

3. Eurípides

E agora, estamos na Grécia, sentados no teatro Dionísio, promtos para ouvir Eurípides. Filas e filas de assentos de pedra dispostos em semicírculo nas encostas do monte em cujo cimo se ergue o Partenon. Neles se sentam trinta mil atenienses, vestidos de túnica solta, apaixonados, tagarelas, ricos de sentimentos e idéias - a mais fina audiência que um poeta jamais teve. Na primeira fila, em assentos de mármore esculpido, estão os magistrados de Atenas e os sacerdotes do deus da tragédia. Á frente do enorme anifteatro ergue-se um pequeno palco pavimentado de lajes; atrás dele esconde-se a "skene", ou a "cena". E recobrindo tudo. nada mais que o céu e a luz do sol. Longe, na base do monte, o azul do mar Egeu sorri.


Eruípides

Estamos no ano 415 a.C. Atenas anda mergulhada na guerra do Peloponeso, luta intestina travada com a ferocidade das porfias entre irmãos. O temerário dramaturgo escolheu para tema de sua peça outra luta, a guerra de Tróia; e seus amigos (entre os quais Sócrates que só vai as peça de Eurípides) murmuram que ele inverterá Homero e mostrará a guerra troiana do ponto de vista dos derrotados.

A peça tem a força de Shakespeare, embora, sem o seu alcance e a sua sutileza - mas com uma paixão social que nos move mais que qualquer obra do drama moderno, com exceção da morte de Lear. Eurípides é bastante forte para, em plena guerra do Peloponeso, falar sobre a estúpida bestialidade das matanças; tinha a coragem de mostrar aos gregos como eram eles bárbaros na vitória e como eram heróicos na derrota os seus inimigos. "Eurípides, o Humano", o denunciador da escravidão, o esclarecido defensor das mulheres, o duvidador de todas as certezas e o amigo de todos os homens: não admira que a mocidade grega lhe declamasse versos nas ruas e que atenienses prisioneiros readquirissem a liberdade por meio da recitação de cor de sua peças. "Se estivesse certo de que os mortos conservam a consciência, eu me enforcaria para encontrar-me com Eurípides" - foram as palavras do dramaturgo Filemon. Eurípides não tinha a serenidade clássica de Sófocles, nem a severa sublimidade de Ésquilo; comparado a este e a Sófocles lembrava Dostoievski diante do impecável Turgueniev e do titânico Tolstói. Mas é em Dostoievski que sentimos os segredos e os vagos anelos do nosso coração - e é em Eurípides que o drama grego, farto do Olimpo, desceu à terra e carinhosamente se dedicou aos negócios humanos. "Produziram todas as nações do mundo um dramaturgo à altura de apresentar a Eurípides as suas chinelas?" perguntou Goethe. Sim, um.

4 / 5. Lucrécio

Quatro séculos se passam, estamos agora numa velha mansão italiana construida por um opulento ninguém de nome Memmius, longe do tumulto de Roma. Aos fundos, o quintal, quieto, defendido do mundo pelos muros e do sol pela árvores. Uma linda cena nos toma os olhos: dois rapazes sentados numa banco de mármore fronteiro a um tanque; entre ambos, o professor, animado e afetuoso, lendo-lhes magnífico poema. Reclinemo-nos na grama e ouçamo-lo, porque esse professor é Lucrécio, o maior poeta e também o maior filósofo de Roma; e o que ele lê (diz Shotwel), é "a mais bela realização da antiga literatura" - "De Rerum Natura", um ensaio em verso sobre a natureza das coisas. Lucrécio recita a apóstrofe ao amor, fonte de toda a criação:


De Rerum Natura, Lucretius

"Tu, Vênus, é a única senhora da natureza das coisas e sem ti nada penetra nos divinos reinos da vida, nada cresce em beleza e alegria... Através de todas as montanhas e mares e rios, e fofos ninhos de aves, e planícies relvosas, tu tocas todos os peitos com o amor, e com o fogo do desejo aproxima os sêres para que as espécies se perpetuem... Porque logo que a primavera irrompe os rebanhos selvagens saltam nas pradarias felizes, e nadam nas correntezas, todos enleados em teus amavios e tangidos de desejo."

É um homem, este Lucrécio, evidentemente nervoso e instável; diz a história que um filtro de amor o envenenou, deixando-o sujeito a acessos de melancolia e delírio. Todo sensibilidade e orgulho, tudo o magoa - um homem nascido para a serenidade e forçado a viver no meio dos alarmes de César; um homem com aspecto místico de santo a forjar-se no materialismo céptico: alma solitária arrastada à solidão pela timidez e apesar disso ansiando por companhia e afeição. Um negro pessimista que em tudo vê dois movimentos que se anulam - crescimento e decadência, reprodução e destruição. Vênus e Marte, vida e morte. Todas as formas começam e desaparecem; unicamente os átomos, o espaço e a lei natural subsistem; o nascimento é o prelúdio da corrupção, e até o próprio universo regredirá para o informe.

Está aqui uma triste filosofia, mal calculada para dar aos homens ânimo de enfrentar o destino; não admira que Lucrécio se suicidasse aos quarenta e um anos (55 a.C). O que para nós enobrece estes versos é a sinceridade e a rude força da sua poesia. Também era rude o latim em que foram escritos; um geração se passaria antes que a língua se refinasse com Cícero e Virgílio; mas a influência do grande orador e a graça do favorito de Augusto curvam-se diantes dos másculos hexâmetros de Lucrécio, enfibrados de adjetivos pitorescos, de imponentes verbos e ressoantes substantivos. Ao ouvi-lo sentimo-nos transportados ao jardim de Epicuro onde ouvimos o riso de Demócrito - o qual sabia o que Lucrécio ignorava: que a alegria é mais sábia que a sabedoria.

6. Dante

A Europa estava atravessando a fase medieval quando a China, sob as dinastias Tsang e Sung, "figurava à frente da civilização" como o "mais poderoso, o mais culto, o mais progressista e bem governado país da terra" (Murdoch). Quão lentamente a Europa convalescia do longo pesadelo da degeneração romana e da invasão dos bárbaros! Mas novas cidades surgiram afinal, e também nova riqueza e nova poesia; da França á Pérsia, de Nijni Novgorod a Lisboa, o comércio restaurado da alento à literatura e à arte. Em Naishapur, Omar compõe o seu Rubayat de desiludida alegria; em Paris, Villon subtrai cabeças de corpos e soma verso a verso; e em Florença, Dante encontra Beatriz e nunca mais volta a ser o mesmo.


Dante no Exílio. Anônimo. Archivo Iconográfico S. A., Itália.
Imagem pertencente à Corbis Image Collections.

Vêde-o aos noves anos, numa festa, procurando ocultar-se de todos, com vergonha de cada parte de seu corpo e de cada par de olhos do recinto. Súbito, Beatrice Portinari surge-lhe á frente - uma menina de oito anos, e imediatamente nasce no coração do menino o amor - um amor em que a carne não fala - pura devoção. "Naquele instante o espírito da vida, que se esconde no mais íntimo recesso do coração, começou a vibrar com tal violência que se revelava em minhas pulsações; e, trêmulo, eu pronunciei estas palavras". "Esse Deus mais forte que eu virá governar-me". Assim escreveu Dante anos mais tarde num relato idealizado, porque nada na memória tem a suavidade do primeiro amor.

Beatriz entretanto deu-se a outro, e faleceu aos vinte e quatro anos, de modo que foi possível a Dante amá-la até o fim. Para fortalecer esse amor casou-se com Gemma Dei Donati, teve quatro filhos e muitas brigas. E jamais pode esquecer o rosto da que desaparecera antes que o tempo lhe apagasse a beleza ou que a satisfação do desejo lhe embotasse a fantasia.

Dante mergulhou-se na política, foi derrotado e exilado, com todos os bens confiscados. Depois de quinze anos de pobreza e vida errante, foi-lhe sugerido que poderia reconquistar a cidadania e reaver seus bens, se pagasse uma multa a Florença e se submetesse a humilhante cerimônia de "oblação" no altar, como o condenado que recebe perdão. Recusou com orgulho dum poeta. E os suaves florentinos condenaram-no a ser queimado vivo - caso fosse apanhado. Dante não e deixou apanhar, mas espiritualmente sofreu a pena da fogueira: pode mais tarde descrever o inferno porque na terra passou por todos os círculos infernais; e se menos vivamente pintou o Paraíso foi por falta de experiência pessoal. Andou de cidade em cidade, perseguido e sem amigos, muitas vêzes prestes a morrer de fome.

É possível que o poema que começara a escrever o salvasse do suicídio ou da loucura. Nada modifica tanto a alma dum homem como a criação da beleza e a busca da verdade: e se os dois objetivos se fundem como sucedeu com Dante, sobrevém a purificação. Como disse Nietzsche, o mundo é insuportável a quem não o encara como espetáculo estético; olhá-lo como motivo para um quadro é atitude que afasta os espinhos. Assim, Dante resolveu escrever; contou em magoada alegria como tinha vivido no inferno, como se purificara no purgatório do sofrimento e como afinal alçara a um céu de felicidade conduzido pelas mãos da sabedoria e do amor. E desse modo, na idade de quarenta e cinco anos, lançou-se à feitura da Divina Comédia, o maior dos poemas modernos.

"No meio do caminho da minha vida, diz ele, encontrei-me numa floresta escura, e por Virgílio levado as portas do Inferno, sobre elas li a terrível inscrição - Lasciate ogni speranza voi ch´entrate!. Essas palavras soam como um ringir de roda de tortura, um rasgar de carnes, um ranger de dentes. Dante conta como viu todos os filósofos reunidos no inferno e comou ouviu Francesca de Rimini narrar o seu amor e a morte de Paolo; e conta como dessas cenas de tormento passou com Virgílio ao purgatório, e daí, com Beatriz a guiá-lo, se foi para o céu. Não seria coisa medieval se não fosse alegórica: nossa vida na terra é sempre um inferno até que a sabedoria (Virgílio) nos purgue dos maus desejos e o amor (Beatriz) nos erga à felicidade e à paz.

Dante jamais conheceu tal paz; permaneceu até o fim tôrvo de aspecto e alma - como Giotto o pintou. Dizem os seus contemporâneos que jamais sorriu, e dele falavam com pavor como do homem que voltara do inferno. Alquebrado e gasto, prematuramente velho, morreu em Ravena em 1321, aos 56 anos de idade. Setenta e cinco anos mais tarde Florença implorou pelas cinzas do que em vida ela tanto se esforaçara por queimar na fogueira; mas Ravena jamais cedeu. O túmulo de Dante ainda lá está como um dos grandes monumentos dessa cidade semi-bizantina. Quinhentos anos depois outro exilado, Byron, ajoelhava-se diante dele - e o compreendia.

7. Shakespeare

"Dante - disse Voltaire - foi um louco; e sua obra, uma monstruosidade. Teve muitos comentadores e por isso não pode ser compreendido. Sua reputação irá crescendo porque ninguém mais o lê". E diz também: "Shakespeare, que floresceu no tempo de Lope de Vega..é um bárbaro" que compôs "monstruosas farsas e tragédias". Os inglêses do séc. XVIII concordaram com o francês. "Shakespeare" disse Lord Shaftesbury, "é um espírito selvagem e grosseiro". Em 1707 um Nahum Tate escreveu um drama denominado Othelo, dizendo que "havia tomado o enredo de um autor sem nome". Alexandre Pope, perguntado por que motivo Shakespeare escrevia tais peças, respondeu "Precisamos comer". Eis o que é a fama. Um homem nunca deve ler seus críticos - nem ser curioso a respeito do veredicto da posteridade.


William Shakespeare

O mundo inteiro sabe a história de Shakespeare - como se casou às pressas e se arrependeu demoradamente; como fugiu para Londres, se fez ator, refez a seu modo velhas peças, e "fez" a cidade com o desregrado Kit Marlowe, concluindo que "todas as coisas são melhores de caçar do que de gozar"; como esgrimiu com agudeza contra Chapman e Ben Johnson na taverna da Sereia; como declarou guerra aos puritanos incipientes e os desafiou com alegria - "Pensas que por que és virtuoso não deve mais haver petisqueiras e cerveja?"; como leu Plutarco, Froissart e Holinshed e aprendeu história estudou Montaigne e aprendeu filosofia; como afinal, por meio do estudo, do sofrimento e dos desastres, se tornou o Guilherme, o Conquistador dos teatrólogos do seu tempo e passou desde então a governar o mundo que fala inglês.

Sua rica e ruidosa energia foi-lhe a fonte do gênio e dos defeitos; deu-lhe a intensidade das paixões e a morte prematura. Shakespeare não podia ir a Stratford sem fazer pelo caminho travessuras: parava na hospedaria de Mrs. Davenant, em Oxford (Street-ford e Ox-ford eram pontos de passagem por água no caminho para a Irlanda), e acabou deixando lá um jovem William Davenant, que também foi poeta e nunca queixou-se da paternidade. Certa vez que o rapaz corria para a Taverna, um engraçado o deteve com um "Para onde vai?". "Ver meu padrinho Willian Shakespeare", foi a resposta. "Meu rapaz disse o engraçado, não invoque o nome de Deus em vão".

Convidado a representar peças na corte, Shakespeare aqueceu-se por uns tempos ao calor das belas damas e dos fidalgos, e apaixonou-se loucamente por Mary Fitton, ou outra"Dark Lady" de outro nome. Dame Quickly e Doll Tearsheet desapareceram de suas peças para abrir lugar à majestosa Pórcia. Sua alma refervia de romance e comédia, e seu espírito brincava na criação de Viola, Rosalinda e Ariel. Mas o amor nunca se contenta; na alma ansiosa do poeta surge uma premonição de loucura e fim. "Por Deus", disse Byron, "eu amo, e o amor me ensina melancolia".

Por ser assim o coração da tragédia de Shakespeare o nadir de sua vida é que o seu mais caro amigo, "Wi H.", a quem ele havia oferecido sonetos de amor infindo, roubou-lhe a "Dark Lady" da sua nova paixão. Enfurece-se o poeta e compõe sonetos sobre a loucura e a dúvida, afunda num inferno de sofrimentos, rói o coração e põe-no a nu no Hamlet, no Othelo, em Macbeth, no Timon e no Lear. Ele passa de simples comédias em que figuram tipos simples, ao jogo de complexas personalidades; em tragédias intricadas nas malhas do destino. Tornou-se pelo desespero o maior de todos os poetas.


King Lear: Jonathan Hyde (Earl of Kent), Ben Meyjes (Edgar), Ian McKellen (King Lear), Sylvester McCoy (Lear's Fool)

O que nele mais gostamos é a loucura e a riqueza do seu falar. Tem o estilo da vida que levava, pleno de energia, tumulto, cor e excessos; "nada como o excesso". Estilo às carreiras, sem fôlego; o poeta escrevia a galope e jamais encontrou folga para arrepender-se. Nunca emendou uma linha, nem corrigiu provas; a suposição de que no futuro suas peças seriam antes lidas do que representadas jamais lhe ocorreu. Descuidado do porvir, escreveu com o fogo da paixão. Palavras, imagens, frases e idéias lhe vinham numa inexaurível torrente - e inquieta-nos saber de que fonte brotavam. Ele tem "um casa-da-moeda de frases em seu cérebro". Homem nenhum dominou tanto uma língua, nem usou-a com maior prodigalidade. Vocábulos anglo-saxônicos, franceses, latinos, palavras de cervejaria, palavras médicas, palavras legais; ligeiras linhas monossilábicas e sonoros discursos sesquipedais; eufenismo de damas e grosseiras obscenidades idiomáticas: unicamente um escritor do tempo de Elizabeth I ousaria jogar com semelhante língua. Temos hoje melhores maneiras e menos força. Sim, seus enredos são impossíveis, como notou Tolstói; os equívocos são pueris, os erros são legião, e a filosofia é de renúncia e desespero. Nada importa. O que importa é que em cada página fulgure a divina energia da alma. E isto nos faz perdoar tudo a um homem. A vida está além da crítica - e Shakespeare é mais vivo que a vida.

8. Keats

Repousemos por um instante e contemos os não mencionado. Primeiro, Safo, a tanger a sua lira de amor num promontório da ilha de Lesbos; depois Ésquilo e Sófocles, vencendo o prêmio dionisíaco mais vezes que Eurípides, o sutil Catulo, o cortesanesco Horácio, o vívido Ovídio, o melífluo Virgílio; Petrarca e Tasso, Omar-Fitzgerald, Chaucer e Villon. Mas isto é pecado venial perto do pecado mortal que ainda temos que cometer com a omissão de Milton e Goethe, chamados mas não escolhidos; e de Burns e Blake, Byron e Tennyson, Hugo e Verlaine, Heine e Poe. Heine, o diabo do verso; e Poe a metade melhor da poesia; pô-los de lado parece-me imperdoável. Tennyson, cujos cantos eram todos belos, e Byron, cuja vida não passava de uma tragédia lírica. Pior ainda não incluir Milton, que escreveu como príncipes, potentados e potências, e fez o idioma inglês relampaguear como o hebraico de Isaías. E pior que tudo não incluir Goethe, a alma da Germânia, que na mocidade escreveu como Heine; na maturidade como Eurípides; e na velhice, como uma catedral gótica - confuso e surpreendente; que alemão ou europeu, o eliminaria? Não importa; pequemos com ousadia e em vez do filósofo Goethe incluamos o poeta John Keats.


Miniature of Keats, by Joseph Severn,
Keats-Shelley Museum

Derrubado pela tuberculose em 1819, depois de semanas no leito, Keats escreveu a Fanny Brawne: "Tive agora a oportunidade de passar noite de ânsia, e ao despertar encontrei-me obstruído de pensamentos. Mas tenho de morrer, digo-o a mim mesmo, eu não deixarei nenhuma obra imortal atrás de mim - nada que faça meus amigos se orgulharem de minha memória; amei a beleza acima de todas as coisas, e se tivesse tempo me faria lembrado"."Se tivesse tempo" - eis a tragédia de todos os grandes homens. Keats nada escreveu de importância depois disto; não obstante, seus amigos só são relembrados pelo que disse e atrás de si ficaram poemas tão duradouros quanto a língua em que os vazou - e mais perfeitos que os de Shakespeare.

Keats deixou a Inglaterra pela Itália em busca do sol; mas as tempestades da viagem arrasaram o corpo e o pó do sul não lhe fez bem. Hemoptises. Pediu que as cartas de Fanny não lhe fossem entregues: não suportaria. Deixou de escrever a Fanny e aos amigos; só tinha uma coisa a fazer: morrer. Tentou envenenar-se; Severn o impediu. "A idéia da morte - escreveu Severn - parece ser o seu único reconfôrto. Fala da morte com deleite. Nada o horroriza mais que o pensamento de sarar". Nos últimos dias "seu espírito cresceu em quietude e paz". Compôs o próprio epitáfio: "Aqui jaz alguém cujo nome está escrito na água". No último momento pediu a Severn: "Erga-me, estou morrendo. Acabarei calmo. Não tenha medo. Graças a Deus a morte chega". Vinte e três de fevereiro de 1821. Vinte e cinco anos tinha Keats. "Se eu tivesse tempo!"

9. Shelley

Quando soube da morte de Keats, vítima da tuberculose e da Quarterly Review, Shelley afundou em prolongada reclusão, derramando sua cólera e sua dor na maior das elegias inglêsas, Adonais. Devia ter sentido com sua feminil sensibilidade, o quanto seu destino se aproximava de Keats - e quão cedo também ele cairia derrotado na guerra da poesia contra os fatos.


Shelley bust by Moses Ezekiel with view of Trinita
dei Monti from the Keats-Shelley House

Porque Shelley, como diria Sir Henry Maine, baseou sua vida no "estado natural", no sonho da Idade do Ouro de Rousseau, na qual todos os homens seriam iguais; e era fisiologicamente hostil ao "método histórico" que equilibra ideais com a realidade e aspirações com a história. Shelley não podia ler a história, parecia-lhe uma abominável enumeração de misérias e crimes: em cada página procurava não a conduta e as reais vicissitudes dos homens, mas a sua poesia, os seus sentimentos, ideais e os seus desejos. Shelley conheceu a Ésquilo melhor que a Tucídides - e em Ésquilo não viu que Prometeu fora encadeado. Que poderia ser mais certo que o seu sofrimento?

Era tão sensível como a sua "Sensitive Plant", sujeita, como ele, a rápido desaparecimento, enquanto as mais grosseiras floriam e sobreviviam. Descreveu-se a si próprio no Julian - "Eu, que sou como um nervo sobre o qual se enrolam as insentidas opressões deste mundo". Vendo esse débil rapaz que nunca chegou a adulto, ninguém o imaginava o autor das heresias que puseram o mundo inglês em fogo. Escreveu Trelawney da primeira vez que o encontrou: "Será possível que este suave rapazinho imberbe seja o verdadeiro monstro em guerra contra o mundo inteiro?" O pintor McCready não pode pintar-lhe o rosto porque era "belo demais" e também muito fugidio; todo ele vibrava de alma.

Ninguém foi de modo mais completo e exclusivo o que na realidade é o poeta. Corporificava tudo quanto a poesia que dizer. "A Poesia", escreveu ele na sua famosa "defesa", "a poesia e o princípio do Eu, do qual o dinheiro é a encarnação visível, são o Deus e o Mammon do mundo... Mas excede a toda a imaginação conceber qual teria sido a condição moral do mundo se Dante, Petrarca, Boccacio, Chaucer, Shakespeare, Calderon, Bacon ou Milton não tivessem mascido; se uma revivescência do estudo da literatura grega não se tivesse dado; se nenhum monumento da antiga escultura não houvesse chegado até nós; e se a poesia da religião dos antigos perecesse com a fé que a anima".

A 8 de julho de 1822 Shelley e seu amigo Williams deixaram a Casa Magni, na qual estavam hospedados na ilha de Lerici, e puseram-se ao mar no barco "Ariel", através da baía de Spezzia, rumo a Livorno, a fim de se encontrarem com Leigh Hunt, que insistentemente convidava Shelley para uma estada em sua casa. O pequeno barquinho de vela chegou sem novidades a Livorno, mas ao fazer-se de volta os céus anunciaram tempestade. Hunt resolveu adiar a viagem para o dia seguinte, mas Shelley insistiu no retorno a Lerici naquela mesma hora; Mary Shelley e Mrs. Willians, que haviam ficado, se afligiriam se seus homens não aparecessem. Logo que o barco se pôs a vogar, os marujos encontrados pelo caminho advertiram-lhes do perigo. Shelley não lhes deu atenção.

Sobrevindo a noite e não aparecendo eles na Casa Magni, Mary Shelley pressentiu a desgraça. No maior desespero, embarcou pra Livorno logo que a manhã rompeu. Lá encontrou Hunt e Byron, mas nada de Willians e Shelley. Energicamente Byron meteu-se á procura dos desaparecidos, pesquisando a costa palmo a palmo; oito dias depois encontrou o corpo de Willians, já irreconhecível, semi-enterrado nas areias; e foram ainda necessários mais dois dias para a descoberta do corpo de Shelley - ou do que dele haviam deixado os abutres. A identificação foi feita pelo encontro dum volume de Sófocles num dos bolsos e um de Keats no outro.

A lei da Toscana exigia que os corpos lançados pelas ondas à costa fossem queimados, para previnir a pestilência. Byron, Trelawney e Hunt colocaram o cadáver numa fogueira, e ao vê-lo já meio consumido Trelawney retirou o coração, que a viúva de Shelley fez enterrar junto a Keats, no cemitério protestante de Roma, sob uma laje com esta simples inscrição: "Cor cordium" - o coração dos corações. Quando 29 anos mais tarde Mary faleceu, foram encontradas no seu exemplar de "Adonais", num invólucro de sêda, as cinzas do amado morto, entre as páginas sobre a imortalidade e a esperança que subsiste no coração dos homens derrotados.

10. Whitman

Foi uma grande revolução na história da literatura o aparecimento do homem que via elementos poéticos nas cenas do drama humano, na vida fresca borbulhante em seu redor; que encontrou meios de pôr em cantos o espírito dos pioneiros, e achava mais poesia sob as estrelas do que em todos os salões do artificialismo. Pela primeira vez um poeta encontrava no viver do homem comum temas dignos de nobres versos: levantava o povo até à literatura e lançava a Declaração dos Direitos do Homem à Poesia. Trocava os vagos idílios de Arthur ou outro mito de deuses mortos, pela rudeza do seu país, pela sua duvidosa democracia, pelos seus tempos de evolução tumultuada. O que faz Homero para a Grécia, Virgílio para Roma, Dante para a Itália, Shakespeare para a Inglaterra, iria fazer Whitman para a América - porque ousou enfitá-la e no novo continente descobrir material para os seus cantos. E construiu para a América nova vida e nova forma de versos, soltos, irregulares, flutuantes e fortes. E tão fielmente a viu e cantou que por fim se tornou não só o poeta da democracia e da América, como pela sua grandeza de alma e universalidade de visão, o poeta do mundo moderno.


Portrait of Walt Whitman

A originalidade das Leaves of Grass, diz um crítico francês "é talvez a mais absoluta ainda manifestada em qualquer literatura". Primeiro, originalidade nas palavras: não há ali nenhuma nuança de língua, nenhum nevoeiro shelleyano, mas nomes e adjetivos viris, verbos brutais, expressões tomadas das ruas e dos campos.

("Tive grande dificuldade em abandonar o estoque de clichês poéticos, mas o consegui."). E depois, originalidade de forma: nada de rimas, exceto ocasiões descaídas como "capitão, meu capitão"; e nenhum metro ou ritmo regular, apenas naturais da respiração ou dos ventos do mar. E acima de tudo, originalidade de temas: a simples admiração duma criança em face dos prodígios da natureza ("O silencioso jacto da aurora", "o louco embate das ondas na terra"); a vivida identificação de si próprio com todas as almas em todas as experiências; a intrépida sinceridade dum espírito aberto que ama e respeita todos os credos; o franco e forte senso da carne; a fragância das estradas em aberto; a defesa e a compreensaão da mulher; a tendência cósmica da sua imaginação e simpatia, aceitando todos os povos e saudando o mundo com desrespeito de todas as tradições e preconceitos; e até os protesto que a poesia de Whitman determinou, provam a sua força e a sua necessidade. Toda a América se revoltou exceto um homem o qual a redimiu com a nobreza de um carta. A 21 de julho de 1855 Emerson escreveu a Whitman:

"Não me sinto cego ante o valor do admirável presente que nos fez com as Leaves of Grass. Considero-o a mais extraordinária contribuição de sabedoria jamais apresentada pela América. Ao ler esse livro sinto-me verdadeiramente feliz, da grande felicidade que uma grande coisa nos dá... Exulto ante o vosso pensamento audacioso e livre... Saúdo-vos no começo duma grande carreira, que deve ter tido uma sólida gênese para exigir tal surto. Esfreguei os meus olhos com medo de que essa aurora fosse ilusão; porque o fundo do livro é uma sóbria certeza... Desejo conhecer o meu presenteador; e quando minhas tarefas permitirem e for a Nova York, irei apresentar-vos os meus respeitos." R.W. Emerson

Whitman já se foi. Viveu quando éramos crianças. Mas provou que mesmo em nossa era podem aparecer gigantes; e mesmo na América, tão jovem e grossseira ainda, pode surgir um poeta único, digno de ombrear-se com os grandes.

Sobre o autor: WILL DURANT recebeu o Prêmio Pulitzer (1968) e a Medalha da Liberdade (1977). Passou mais de cinqüenta anos escrevendo “A História da civilização”, onze volumes aclamados pela crítica (os últimos escritos em colaboração com a esposa, Ariel). Credita-se ao seu livro A História da Filosofia (1926) o mérito de ser a obra que lançou Simon & Schuster como importante força na área editorial, e de ter introduzido mais pessoas ao assunto da filosofia do que qualquer outro livro.

Fonte: DURANT, Will (1885 -1981). Os Grandes Pensadores, Obras Filosóficas. Companhia Editora Nacional, São Paulo, s.1, v.3, 1969 - p. 28-47

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