Pata Pata

Samba

Miriam Makeba

Miriam Makeba morreu aos 76 anos na localidade de Castel Volturno, no sul de Itália. Ela sofreu um ataque cardíaco após um show em homenagem ao escritor e jornalista italiano Roberto Saviano ameaçado de morte pela máfia napolitana. Ele é o autor de Gomorra, best-seller que trata da brutalidade da máfia napolitana, conhecida como Camorra. Após vender 1,2 milhão de exemplares e ser traduzido para 42 idiomas, o livro foi transformado em filme, pelo diretor Matteo Garrone, premiado no Festival de Cannes e indicado como o representante italiano no Oscar. O filme foi exibido recentemente na Mostra de Cinema de São Paulo.


Miriam Makeba se apresenta na Itália horas antes de passar mal

Foi uma das maiores cantoras da história, conhecida como "Mama África", ficou também famosa como grande ativista pelos direitos humanos e contra o apartheid.

Makeba começou a carreira em grupos vocais nos anos 50, interpretando uma mistura de blues americano e ritmos tradicionais da África do Sul. Estreou em 1953, com The Manhattan Brothers. No fim da década, apesar de vender bastantes discos no país, recebia muito pouco pelas gravações e nem um centésimo de royalties, o que lhe despertou o desejo de emigrar para os Estados Unidos.

Um momento decisivo aconteceu em 1959, quando estrelou o documentário anti-apartheid Come Back, Afrika, apresentado no Festival de Veneza daquele ano, com ela presente. A recepção que teve na Europa, e as condições que enfrentava na África do Sul. fizeram com que Miriam resolvesse não retornar ao país, o que fez com que seu passaporte sul-africano fosse revogado.

Ela tentou voltar em 1960, para o funeral da mãe, porém seu passaporte foi revogado e sua entrada, negada.

Ela cantou ao lado de Dizzy Gillespie, Paul Simon, Harry Belafonte (com quem ganhou um Grammy, em 1960). Filha de um curandeiro sangoma da tribo Xhosa, ela já nasceu diferente: antes mesmo de nascer, quando sua mãe estava grávida, ficou seis meses na cadeia.

Ficou três décadas exilada por suas posições políticas contra o regime do apartheid. Contra o horror da segregação, discursou na ONU em 1964 e 1975.


Miriam Makeba addressing UN on apartheid

No exílio durante 31 anos, morou nos Estados Unidos, na França, em Guiné e na Bélgica, até seu emocionante regresso a Johannesburgo, em 1990. Na época muitos sul-africanos exilados voltaram ao país, em meio às reformas do então presidente F. W. De Klerk. "Nunca compreendi por quê não podia vir ao meu país", disse a cantora ao retornar. "Nunca cometi crime algum."

O convite para retornar foi feito por Nelson Mandela, que depois viria a ser presidente do país, entre 1994 e 1999. "Foi como renascer", relembrou Miriam depois.


Mama Makeba

Debochada, com alergia a clichês e frases feitas, a artista que revolucionou o canto africano, reuniu 10 mil pessoas em festival de jazz na Cidade do Cabo em 2006 e aproveitou para anunciar aposentadoria: "Quero ir mais devagar".

Com um anel de pedra amarela do tamanho de um ovo de galinha no dedo, Miriam mostrou porque a tratam como uma rainha eterna. Nada de fel no discurso.

Enalteceu as vozes que se ergueram contra a barbárie racial, mas, ao final, disse que era preciso esquecer.

-"É por isso que vocês são tão bonitos. Porque vocês sabem perdoar" disse à platéia.

-"Não tenho palavras para descrever a importância dessa artista", anunciou o apresentador, com a voz embargada.

Diziam que a saúde da cantora não estava boa, e seria esse o verdadeiro motivo pelo qual estava se retirando.

De fato, notava-se que estava poupando a voz, passando a vez para os vocalistas de apoio (entre eles, sua neta, Zenzile Lee) e convidados.

Mas continuava marota, insolente, gozadora, espirituosa.
-"Alguns dizem que o que eu faço é world music. Bom, todo mundo canta e todos estamos no mundo. Então, tudo é world music. Uma vez me apresentaram como cantora de world music e eu disse: estou feliz de fazer parte do mundo."

No show, quando Makeba cantou Malaika, de Fadhili Williams, uma canção do folklore queniano, o fundão virou um baile funk (mas sem baixaria), com a platéia fazendo coreografias irresistíveis. Depois, o mundo veio abaixo com Pata Pata.

Mama África ainda estava com a tábua das regras debaixo dos braços. E isso era tudo que o povo queria ver.

Debochada, com alergia a clichês e frases feitas, Miriam Makeba brincou com seus próprios prognósticos para o futuro.
-"Só farei (shows) em ocasiões especiais.
E por um montante de dinheiro muito especial", divertia-se.
-"Muitas vezes tento lembrar um nome e o nome não vem. É por isso que digo que é hora de parar."

Diziam que a rainha estava engavetando a coroa.

Cerca de 10 mil pessoas foram naquela noite de sábado ao Cape Town International Jazz Festival, o maior evento do gênero no continente para conferir. Jornalistas da Nigéria, Zâmbia, Quênia, Moçambique, África do Sul: toda a imprensa africana estava na Cidade do Cabo para falar com a cantora.

E, de fato, ela estava saindo de cena. Com classe, sem muito alarde. Seu show intitulava-se Grand Finale Tour. Mama África não queria mais sair pelo mundo excursionando.

"Estou com 74 anos. Decidi que não faço mais, que não irei mais a todos os países. Quero parar de ir e vir, gostaria de ir mais devagar", disse ela.

Ela contou que, chegando à Cidade do Cabo, os motoristas das vans em que andou se espantavam com sua presença.

- "Mama Makeba! Mesmo os turistas que vêm aqui querem saber aonde você esta cantando!", disse ela, reproduzindo a fala do seu chofer.

Fontes: ForEver, UOL Música, Agência Estado e Associated Press



Links

Agenda

Em cartaz Cinema

Em cartaz Teatro

Matérias: Live Earth | Disco Classics | Earth, Wind & Fire | Os Fofos Encenam | Laços do Olhar | Rock in Rio | Kool ang Gang | Lenda do Jazz no Brasil | Elizabeth Jobim - Endless Lines | Diana Krall no Brasil | Shows Novembro | Chaka Khan e Branford Marsalis | Gagaku, Bugaku e Shomyo | Cantata no Jockey | Shows 2009 | Madonna no Brasil | Maysa | Elton John | Grammy 2009 | Brit Awards | Simply Red no Brasil | Paul e Michael com ingressos esgotados | Radiohead | Prêmio internacional de fotografia: Sony World Photography | Hot List | A procura de um olhar | Burt Bacharach | Shows Abril 2009 | Virada Cultural 2009 | Oasis no Brasil | Terminator Salvation | FAM 2009 | Iggy Pop lança Preliminaries | Grande Álbuns - Michael Jackson | Festival de Inverno de Campos do Jordão 2009 | Shows 2º Semestre 2009 | Grandes Álbuns II | Dinossauros da música eletrônica ressurgem em 2009 | Festival de Cinema Veneza 2009 | Álbuns Clássicos do Jazz | Flashback Mr Groove | Festival Planeta Terra | Donna Summer | Grammy 2010 | Programação Verão 2010 | Brit Awards 2010 | Oscar 2010 | Valleys of Neptune | Albuns - Lançamentos 2009 / 2010 | Nelly Furtado no Brasil | Documentário Loki | Matérias Novas

Destaques: A volta do Queen | Babyshambles | Cantoras Brasileiras | Cena Eletronica | Clocks | Corinne Bailey | Dig Out Your Soul | Escola do Pop Rock | Horace Silver | Im Takt der Zeit | Keane | Jamie Cullum | John Legend | Julliete & The Licks | Kantata Takwa | Led Zeppelin | Madeleine Peyroux | Michael Jackson - Thriller 25 | Little Boots | Miriam Makeba | Mostra de Arte / Casais | Musicians and Machines | Nara e Fernanda | Nonsense | Oscar Peterson | Paul McCartney | Piaf - Um hino ao amor | Prokofiev | Regentes | Rotciv | Stay | Studio 54 | Yo-Yo Ma | The Heist Series | The Verve - Forth | Vanessa da Mata | Demis Roussos & Aphrodite's Child | Tommy avec The Who | Villa Lobos, Brisa Vesperal

Voltar para página inicial