Ilha da Madeira: Éden Vulcânico

"Passamos a grande Ilha da Madeira,
Que do muito arvoredo assim se chama;
Das que nós povoamos a primeira,
Mais célebre por nome do que por fama.
Mas nem por ser do mundo a derradeira,
Se lhe avantajam quantas vénus ama;
Antes, sendo esta sua, se esquecera,
De Cypro, Guido, Paphos e Cythera."

"Os Lusiadas", Canto V
Luis de Camões

Situado à 850 quilômetros sudeste de Portugal, o pico montanhoso feito de enorme massa vulcânica que se estende até o rochedo pontiagudo de carmim, derrama gotas na imensidão do oceano: o mais profundo, com a sinfonia de baleias junto à costa. Uma vez em Cabo Girão, um dos maiores penhascos oceânicos do planeta, entende-se Luís Vaz de Camões na inspiração de que Madeira jaz sob o fim do mundo.

Sob o solo vulcânico da ilha, plantas e flores borbulham com a fartura de lavas coloridas: jacarandá, orquídeas, gerânios, buganvília, copos de leite, glicínias, além da fartura de pequenas frutas como amoras silvestres, figos da índia, maçãs, abacates, mangas e bananas, que crescem em profusão na ilha. Carrega-se a imagem das montanhas abruptas, vales verdejantes e floridos, do panorama do mar e das escarpas do litoral e suas praias de areia dourada da Ilha do Porto Santo. Há também uma série de ilhotas como as Desertas e as Selvagens que fazem parte do Arquipélago de Madeira e não são habitadas, são reinado exclusivo da beleza.

Com a temperatura da água do mar nunca inferior aos 17º, é um dos destinos turísticos mais antigos da Europa, popular no verão e no inverno, tanto pela exuberância da paisagem quanto pelo radicalismo de seus picos e ondas, que atraem milhares de surfistas e esportistas, ano após ano, por isso, conta também com intensa programação noturna.

A Ilha Madeira não só oferece um excelente clima ao longo de todo o ano, magníficas fauna e flora - a Madeira tem uma taxa criminal baixíssima e é um dos destinos mais seguros do mundo. A população de cerca de 260 mil habitantes é hospitaleira, doce e educada.

As primeiras alusões à Ilha da Madeira datam da antiguidade clássica, sendo feita referência a paradisíacas ilhas atlânticas. Pelos romanos ficou conhecida como as "Ilhas de púrpura". Posteriormente, o Arquipélago foi representado em mapas italianos e catalães do século XIV.


Infante D.Henrique

Quando o Infante D. Henrique, mais conhecido como o Navegador, juntou os melhores navegadores e cartógrafos de Portugal, no início do século XV, o seu plano era explorar melhor a Costa Oeste de África. Equipados apenas com uma caravela, compassos, bússula e astrolábio, os primeiros capitães estavam muito limitados nas suas diligências e, por estas razões, as melhores horas da história marítima portuguesa foram fruto da sorte dos marinheiros.

Dois jovens navegadores, João Gonçalves “Zarco”, ou “o vesgo”, e Tristão Vaz Teixeira, foram afastados da sua rota, pela costa da África, devido ao mau tempo, e depois de muitos dias à deriva pelo alto mar, “Zarco” descobriu em 1418 a Ilha de Porto Santo. Zarco possuía uma deficiência visual, causada por um ferimento na vista durante uma batalha contra os Mouros.

Foram, então, encorajados a explorar um acumulado de maus presságios. As teorias de que o mundo era plano ainda não tinham sido completamente reprovadas, e foi preciso uma grande dose de fé para ultrapassarem a travessia.

Ao aproximarem-se, as enormes ondas do Atlântico, quebrando ao longo da costa Norte e a turbulência em ebulição das correntes cruzadas na Ponta de São Lourenço, não devem ter facilitado a vida aos supersticiosos marinheiros. Mas ao rodear o promontório, descobriram a baía de Machico, a entrada para a ilha paradisíacamente florestada a que chamaram Madeira.

Na verdade, "Zarco" inicialmente pensou que a ilha fosse uma nuvem, que estranhamente não se movia . Resolveu então "perseguir" a nuvem e acabou encalhando seu navio na ilha.

Na época, a Ilha da Madeira era inteiramente coberta por uma densa floresta e o que se imaginava ser uma nuvem era, na verdade, uma espessa camada de neblina que recobria a floresta nas úmidas manhãs. Como a floresta era impenetrável, "Zarco" resolveu atear fogo à vegetação, visando desnudar algumas áreas da ilha. Ateou fogo e esperou, e como esperou! O incêndio durou cerca de sete anos e consumiu toda a vegetação, infundindo grandes quantidades de potássio no solo vulcânico permeável da ilha, o que, por mero acaso, tornou-o particularmente adequado para o cultivo da uvas.

As ocupações de terras atlânticas pelos portugueses, tiveram seu elo inicial logo concretizadas nas belas ilhas do Arquipélago da Madeira, uma vez que, os castelhanos as queriam para si também.

Relatos mencionam que os árabes a conheciam e a haviam nomeado de “djazirat al ghannam” (ilha dos carneiros), na sua rota marítima ao longo da costa africana, provavelmente como interposto de "refrescos" para a sua navegação.

A terra de origem vulcânica, a água em abundância e as cinzas do grande incêndio (como adubos) permitem assim obter uma terra muito fértil para as culturas. Os portugueses decidem então trazer a cana-de-açúcar da Itália e a vinha (videira de Malvoisie) de Creta. As colheitas foram magníficas.

Tendo sido notadas as potencialidades das ilhas, bem como a importância estratégica destas, iniciou-se por volta de 1425 a colonização, uma iniciativa de D. João I e do Infante D. Henrique. A partir de 1440 estabelece-se o regime das capitanias com a investidura de Tristão Vaz Teixeira como Capitão-Donatário da Capitania de Machico; seis anos mais tarde Bartolomeu Perestrelo torna-se Capitão-Donatário do Porto Santo e em 1450 Zarco é investido Capitão-Donatário da Capitania do Funchal.

Iniciaram a sua colonização e o desbravamento das terras imediatamente, sendo que logo os pequenos abrigos foram transformados em Vilas e o Funchal e o Machico receberam do reino de Portugal a "Carta de Floral" em 1451. Em 1455 exportavam para Portugal, demonstrando a sua grande capacidade de trabalho e perfeição na agricultura.

Em 1478, "Cristóvão Colombo" navega até a Madeira para comprar açúcar. Encontra a filha do governador de Porto Santo e a esposa. Conta-se que é graça à sua estadia na ilha que "Colombo" aprendeu a navegar e conhecer o oceano. Diz-se também que é aqui que teria tido a idéia de empreender a sua viagem em 1492.

Em 1480, foi batido o recorde de exportação e dali saíram 20 naus estrangeiras carregadas de açúcar e imediatamente foi proibida a fixação de estrangeiros que, já ali eram em grande número, pois que, sabiam da importância dessas ilhas, no ano da descoberta do Brasil a população da Madeira e Porto Santo já atingia 20 mil pessoas.

O dia 21 de Agosto de 1508 é data em que Funchal foi elevado a cidade. Foi a primeira criada pelos Portugueses no Oceano Atlântico.

Em 1566, o corsário francês "Bertrand de Montluc" atinge o porto do Funchal com uma armada de 11 galeões e 1300 homens. Faz reinar o terror durante 16 dias, pilha a ilha, destrói as reservas de açúcar e mata 300 madeirenses.

No séc.XVII, no ano de 1662, "Carlos II" da Inglaterra casa com "Catarina de Bragança". Uma das cláusulas do contrato do casamento permite à Carlos II possuir a ilha. O vinho da Madeira passa a ser o único vinho autorizado a ser exportado para as colônias americanas, com a condição que seja sobre navios ingleses. Este privilégio irá atrair muitos Ingleses sobre a ilha, tanto que se formaram verdadeiras dinastias: o "Blandy" e o "Leacock". Em 1800 calculavam as exportações em 9 milhões de garrafas por ano.


Palacio de S.Lourenço

O vinho da Madeira, considerado de grande requinte nas cortes européias, chegou a ser usado como perfume para os lenços das damas da corte. Na corte de Inglaterra, este vinho rivalizava com o vinho do Porto. Shakespeare, na peça que escreveu a Henrique IV, refere-se ao vinho da Madeira, quando o personagem Falstaaf vende a alma ao diabo em troca de um pedaço de frango e um copo de "Madeira".


Hotel Reid´s

Em meados do século XX, a ilha da Madeira começa a desenvolver a sua indústria turística atraindo uma clientela rica e aristocrática. O célebre hotel "Reid’s" abre em 1890 e uma linha de hidroavião é instaurada à partir de Lisboa em 1921. A ilha ganhou as suas cartas de nobreza, quando o último imperador austro-húngaro, "Carlos 1" da Áustria ("Carlos IV" da Hungria), escolhe a ilha como lugar de exílio após a guerra.


Afternoon tea, a tradition at Reid´s Palace

Em 1974, após a queda do ditador Salazar em Portugal, a ilha da Madeira recebe o estatuto de território autónomo.

A ilha da Madeira é também muito famosa pela sua Floresta Laurissilva, floresta relíquia, classificada pela UNESCO como Património Mundial Natural.

A Madeira, oficialmente designada por Região Autónoma da Madeira, é um território português dotado de autonomia política e administrativa através do Estatuto Político Administrativo da Região Autónoma da Madeira, previsto na Constituição da República Portuguesa. A Madeira faz parte integral da União Europeia com o estatuto de região ultraperiférica do território da União, conforme estabelecido no artigo 299º-2 do Tratado da União Europeia.

As ilhas significam, hoje, um local a curta distância da Europa, que permite ao visitante conciliar férias na praia, na montanha ou na cidade. E como o local ideal para relaxar e encontrar o equilíbrio da mente e do corpo necessários para enfrentar o ritmo do dia-a-dia.

A cidade de Funchal está localizada em uma baía de rara beleza, emoldurada por lindas colinas.

Hoje, a estátua de Zarco olha de cima os turistas dos mais variados pontos do planeta, na curva de frente ao Edifício do Banco de Portugal, no centro do Funchal. O significado desta primeira descoberta é visto como o portal para um novo mundo, de onde surgiria o grande império, a América. Encontrar Porto Santo durante uma tempestade no Atlântico foi um golpe de sorte ou o destino como muitos o dizem.


A Avenida do Mar em 1890

Por volta de 1526, visitou a Ilha da Madeira o Conde Giulio Landi, um nobre italiano da Corte de Parma e Piacenza. Regressado a Itália, escreveu em latim uma memória do que viu a pedido do seu patrão da altura, o Cardeal Ippolito de Medici. Do manuscrito, terão sido feitas na altura várias cópias. Falecido o Cardeal em 1535, Landi recuperou o seu manuscrito. Mais tarde, por volta de 1570, um seu amigo, M. Alemanio Fini, decidiu traduzir o texto para italiano e publicá-lo, dedicando-o à Infanta Maria de Portugal, filha mais velha do infante D. Duarte. Entenderam-se o autor e tradutor para uma publicação conjunta das duas versões, a latina e a italiana, num único volume que saiu em Roma em 1574 com o título Insulæ Materiæ Historia, a seguir um pequeno trecho:

“Depois desta terra, a cerca de quinze milhas, está a cidade chamada Funchal, pela grande quantidade de funcho que no princípio aí encontraram, nascido naturalmente; os portugueses chamam funcho ao finocchio. Estende-se esta cidade ao longo da costa onde existem, em jeito de duas línguas, dois pequenos promontórios, que se estendem um pouco Mar dentro, e que rodeiam a cidade, de maneira que se apresenta a quem observa, como uma parte de um semi-círculo. E a sua largura não é nem metade do seu comprimento. Está virada para sul e para levante; e por estar colocada ao longo da costa, e algo inclinada, manda todos os detritos para o Mar. Donde resulta que é ampla e limpa. E ao mesmo tempo tem muitas construções, quer privadas, quer públicas, e abunda naquelas coisas que são necessárias à vida e ao enfeite de uma Cidade. Aqui vêm muitas vezes mercadores de países longínquos, de Itália, da França, da Flandres, de Inglaterra e da Irlanda; os quais trazem as coisas destinadas aos da Ilha; e a seguir levam aquelas coisas que a Ilha produz, como açúcares e vinhos, por disso ali haver grande abundância. Nem na Cidade, nem em toda a Ilha, há porto algum: todavia conseguem-se prender bem as naves com a âncora, por ser boa a praia. É bem verdade que, quando reinam certos ventos meridionais, ficam em grande perigo. Quando é necessário entrar no alto Mar, à discrição da sorte, ou se retiram de costas para a Ilha. Correm pela cidade algumas ribeiras, que vêm das colinas da Ilha. E assim acontece que com muita facilidade poder-se-ia conduzir a água em tubos até ao cimo das casas. Há uma belíssima fonte no litoral, de água doce, de que se costumam servir os habitantes da Cidade.”

Fontes: Adriano Augusto da Costa Filho; Madeira Web.; ABS - Associação Brasileira Sommeliers; João Carvalho Fernandes; Ile-madere; ViaBr Turismo & Eventos; Arlindo Correia e Secretaria Regional do Turismo e Cultura da Região Autónoma da Madeira.

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Vinhos da madeira

Hotel Reid´s

 



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