Horace Silver

O pianista norte-americano Horace Silver é bem menos conhecido do que deveria. Afinal, ele criou o hard bop, estilo mais influente do jazz desde os anos 80, quando foi redescoberto.


"Horace Silver"
22" x 26" oil on canvas by Tim Townsley

Nascido em Norwalk, no dia dois de setembro de 1928, Silver cresceu escutando a música folclórica de Cabo Verde, terra natal de seu pai. Nessa época ele também absorveu o jazz popular, o blues e o gospel. Começou tocando saxofone e piano na escola secundária, influenciado por Thelonious Monk e Bud Powell. Silver foi contratado por Stan Getz em 1950 e trabalhou com ele durante um ano.

Depois de mudar para New York em 1951, Silver tocou e gravou com várias estrelas de jazz, inclusive Miles Davis, Milt Jackson, Lester Young e Coleman Hawkins. Sua primeira gravação como líder foi com Lou Donaldson em 1952 para a Blue Note, iniciando uma relação profissional que durou 28 anos.

Co-liderou com o baterista Art Blakey os Jazz Messengers, moldando o som do grupo com clássicos como "The Preacher" e "Doodlin'".


Art Blakey & Horace Silver at the Blue Note Festival, Hollywood, California, 1989
Photograph by Kal Reece

Iniciando carreira solo, lançou clássicos como "Sister Sadie", "Señor Blues", "Filthy McNasty" e "Song for My Father". Por seus grupos passaram Joe Henderson, Woody Shaw e os irmãos Randy e Michael Brecker, entre outros.

Nos anos 80, ele adotou na música uma postura metafísica com discos como "Music to Ease Your Disease" ("Música para Curar Sua Doença") e "The Music of the Spheres" ("Música das Esferas"). Em 2006, lançou a autobiografia "Lets Get to the Nitty Gritty" (algo como "Vamos ao que Interessa").

Music to Ease Your Disease
Spiritualizing The Senses

Estilo

O bebop trouxe uma evolução ao jazz, mas muitos tiveram dificuldade para absorvê-la, devido aos solos frenéticos, dissonâncias e ritmos complexos. Horace Silver, junto a Art Blakey, ajudou o público a decifrar o bop, com maior influência de blues e gospel, um suingue mais pronunciado e a repetição dos temas.

Esse bop com mais "alma", menos cerebral, foi rotulado de hard bop ou pós-bop. A música de Silver receberia adjetivos como "soul" e "funky", sendo considerado um precursor de ambos os gêneros musicais.

O sucesso do hard bop foi tão grande que se tornou a força propulsora do selo Blue Note. A gravadora lançou dezenas de outros grupos e artistas nessa linha, firmando-se com uma das mais importantes e conceituadas do jazz.

Nos anos 80, quando o fusion dava sinais de cansaço, Wynton Marsalis liderou uma nova geração que levou o jazz de volta ao formato acústico. O hard bop foi escolhido como modelo, e desde então é a base do jazz contemporâneo.

Curiosidades

Mãozinha para Moacir Santos

Silver ajudou a deslanchar a carreira internacional do maestro pernambucano Moacir Santos (1924-2006), que morou quase 40 anos nos Estados Unidos. Foi ele que, em 1967, apresentou Moacir à conceituada Blue Note, pela qual o pianista gravava na época.

Bossa nova para o pai

Um dos maiores sucessos de Silver foi "Song for My Father", que conseguiu atravessar a barreira do jazz e ser gravado até por James Brown. A composição de 64, que homenageia o pai do pianista, tem influência de bossa nova. Quando a escreveu, ele tinha acabado de visitar o Brasil, onde visitou Tom Jobim e Sérgio Mendes.

Obras-primas

Entre os LPs que ele gravou com Miles Davis em 54, estão duas obras-primas do trompetista: "Walkin'" e "Bag's Groove".

Em sua autobiografia, Silver conta que, quando trabalhava com Stan Getz, o saxofonista pagava seu salário, mas em seguida pedia dinheiro emprestado para comprar drogas. "Eu sabia que nunca receberia aquele dinheiro de volta", conformava-se.

Miles Davis & Horace Silver - Old Devil Moon

Fonte: Helton Ribeiro ( Folha Online ); Clube de Jazz



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