A Viagem do Elefante
José Saramago

Escrito pelo ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, José Saramago, o livro conta a insólita viagem de um elefante chamado Salomão, que no século 16 cruzou metade da Europa, de Lisboa a Viena, por extravagâncias de um rei e um arquiduque. O episódio é verdadeiro. Dom João III, rei de Portugal e Algarves, casado com dona Catarina d'Áustria, resolveu numa bela noite de 1551 oferecer ao arquiduque austríaco Maximiliano II, genro do imperador Carlos V, nada menos que um elefante. Esse fato histórico é o ponto de partida para Saramago criar, com sua prodigiosa imaginação, uma ficção em que se encontram pelos caminhos da Europa personagens reais de sangue azul, chefes de exército que quase chegam às vias de fato, padres que querem exorcizar o elefante e até lhe pedir um milagre.

"Por muito incongruente que possa parecer..." são as primeiras palavras de "A viagem do elefante", uma idéia que Saramago carrega há mais de dez anos, quando viajou à Áustria e, por acaso, entrou em um restaurante de Salzburgo chamado "The Elephant" (O Elefante).

Mais de uma vez, ele pensou que não chegaria a concluir a obra, que tem aproximadamente 240 páginas em virtude de uma doença respiratória que ameaçou sua vida.

"Este conto, prefiro chamá-lo assim --melhor que romance--, é o que sempre pensei que deveria ser. A doença não mudou nada", diz Saramago, que afirmou que não deseja dramatizar "a situação do autor frustrado por algo mais forte que sua própria vontade".

"Eu escrevi meus três últimos livros na mais deplorável situação de saúde, nada favorável para sentimentos de alegria. Prefiro dizer: se você tem que escrever, escreverá", acrescenta.

A escrita do livro foi interrompida por sua doença e, ao ouvi-lo relatar suas sensações quando estava à beira da morte, muitos se lembram do violoncelista protagonista de seu romance "As Intermitências da Morte", embora saibam que a realidade não imitou a ficção que ele próprio criou.

"'As Intermitências da Morte' é um romance cheio de humor e ironia, não me lembro de ter assumido a ameaça que espreita o meu violoncelista. É certo que já estava doente, mas consegui construir uma barreira entre o eu que escrevia e o eu que sofria", declarou Saramago.


Jose Saramago - Martónez de CripÆn/EFE

O escritor português não só "construiu barreiras" entre sua literatura e sua vida, mas é capaz de se isolar de tudo o que lhe cerca, até o ponto de escrever em seu computador portátil enquanto várias pessoas conversam no sofá da sala.

O escritor português não só "construiu barreiras" entre sua literatura e sua vida, mas é capaz de se isolar de tudo o que lhe cerca, até o ponto de escrever em seu computador portátil enquanto várias pessoas conversam no sofá da sala.

"Lembro que parte do romance 'Todos os Nomes' foi escrita em casa. Enquanto os pedreiros faziam seu trabalho e contavam piadas uns para os outros, eu, no quarto ao lado, separado apenas por uma lona plástica que servia de porta, continuava construindo as peripécias de meu personagem Dom José. Nunca os mandei se calarem. Eles estavam na sua, eu estava na minha", afirmou Saramago.

Segundo sua tradutora e mulher, Pilar del Río, "A viagem do elefante" é um livro no qual entram e saem personagens que estão nos manuais de história junto com personagens anônimos, pessoas vão se cruzando e compartilham perplexidades, esforços ou a harmoniosa alegria de um teto.

Pilar, que também é presidente da Fundação Saramago, acrescenta que "a compaixão solidária atravessa a obra, a distingue e a significa".

Também fazem parte da mesma ironia, sarcasmo e humor, que o escritor emprega "para salvar a si próprio e para que o leitor possa penetrar no labirinto de humanidades em conflito sem ter de renunciar à sua condição indagadora de humano e de leitor".

Título: A Viagem do Elefante
Autor: José Saramago
Editora: Companhia das Letras
Edição: 1a. edição, 2008
Idioma: Português
Número de páginas: 264 páginas
Formato: 14 cm x 21 cm (largura x altura)
Especificação: Offset sobre papel pólen soft, 1 x 1 cor, Brochura
Peso: 334 gramas
ISBN-13: 978-85-3591-341-5

Fontes: Folha Online, Estadão

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