Como Jimi Hendrix na guitarra, o brasileiro Baden Powell foi uma rara unanimidade em seu instrumento, o violão. É provável que tenha sido também o melhor do mundo em sua época, mas no Brasil ele, sem dúvida, bateu no topo.

Com um toque selvagem de entonação afro, uniu a tradição (Meira, Dilermando Reis, João Pernambuco) ao modernismo bossa nova, do qual fez parte sem nunca ter sido um representante ortodoxo. A ortodoxia, por sinal, nunca ponteou sua carreira imprevisível de incontáveis gravações e comportamento de saltimbanco.

Como aluno de Meira e estudioso dos eruditos e depois acompanhante de cantores (a princípio como guitarrista) e solista de jazz nas boates até desaguar nos seus primeiros clássicos, ele sempre ostentou um repertório miscigenado de quem acostumou-se cedo a cativar vários tipos de platéias.