Chet Baker entrou para a história do jazz como um mito que acompanhou a própria decomposição em vida.

O estilo de Chet Baker é a prova irrefutável de que no jazz o feeling é mais importante do que a técnica. Não deve ter havido trompetista mais "pobre" do que ele, quase sempre reduzido aos registos baixo e médio do instrumento, com uma paleta tímbrica limitadíssima, com um fôlego de curto alcance e fazendo uso de um pequeno punhado de notas, expelidas numa lentidão murmurante. Com tão fracas qualidades técnicas, o que fez de Chet Baker um dos grandes trompetistas do jazz? Por um lado, a enorme intensidade emocional que punha em todos os temas, impregnando-os de um lirismo pungente. Em baladas, como "The Touch Of Your Lips", quando Chet cantava, a sua voz era um fio esvaído, quase sonâmbula. Por outro lado, a sua reputação vinha do simples fato de nunca ter deixado de tocar, a despeito da vida que levou.