Embalagem pop

Referência universal da pop art, como a Marilyn de Warhol, capa do álbum inspirou paródias e tributos, dos Rolling Stones ao movimento tropicalistano Brasil, para além do universo da música

Para a geração MP3, que prima pelo câmbio virtual de canções avulsas, a realização de um álbum conceitual é algo tão incomum quanto a necessidade de uma capa para tal. Com Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, os Beatles fizeram história e influenciaram contemporâneos e gerações seguintes nas duas linguagens. Como pretendiam os Fab Four e o produtor George Martin, a capa de “Sgt. Pepper, como a música, deveria mexer com a cabeça das pessoas – conseguiu.” Diversos grupos e artistas gráficos ao longo dessas quatro décadas se inspiraram nela, indo da homenagem à paródia.

Um dos muitos detalhes curiosos do projeto visual do disco é a frase “Welcome the Rolling Stones”, estampada na camiseta da boneca. No álbum Their Satanic Majesties Request (1968), os Stones não só deram a resposta psicodélica aos Beatles em termos sonoros, mas retribuíram a homenagem inserindo minúsculas fotos dos quatro (as de Harrison e Lennon são as mais visíveis) na arte da capa. No mesmo ano, suas influências fizeram eco no álbum Tropicália ou Panis et Circencis, marco do movimento tropicalista, obra também emblemática no Brasil.

Frank Zappa, sob efeito do impacto visual de Sgt. Pepper, e sua impressionante repercussão no mundo, recorreu à famosa montagem da capa para reforçar a crítica à sociedade americana da época no álbum We’re only in it for the Money. Como Zappa, o grupo cômico Big Daddy recorreu a elementos sonoros do pop dos anos 50 e início dos 60 para recriar, na mesma seqüência do original, as canções do álbum dos Beatles. Para completar a brincadeira, a capa, claro, não poderia ser outra.

O paraibano Zé Ramalho encontrou uma maneira respeitosa de homenagear seus ídolos e conterrâneos no CD Nação Nordestina (2000), idealizando na capa uma reunião de Luiz Gonzaga, Hermeto Pascoal, Naná Vasconcelos, Fagner. Quem se deu mal foi o DJ Clayton, que foi condenado a pagar US$ 1 milhão à gravadora EMI, em 2006, pela boa idéia de juntar dois álbuns clássicos – Sgt. Pepper e Pet Sounds, dos Beach Boys –, fundindo as respectivas capas, no mashup The Beachles – Sgt. Petsound’s.

Até os Simpsons e o Greenpeace, entre vários outros, entraram na dança. O cartoon de Matt Groening com o CD satírico The Yellow Album (1998) e a organização pró-ecologia com a capa de um relatório, de 2004, reunindo pessoas que tiveram influência sobre as florestas nacionais americanas, “para o bem ou para o mal”. São evidências de como a força simbólica da arte de Peter Blake perdura além do universo musical. Na pop art, é referência tão alegórica quanto a Marilyn Monroe, de Andy Warhol, e quase tão parodiada quanto a Mona Lisa, de Da Vinci, dimensões de importância à parte.


Foto
A lendária capa do 'Sgt. Pepper's'
Foto: Reprodução

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Fontes : Jotabê Medeiros, Lauro Lisboa Garcia e Lizzie Bravo - O Estado de S.Paulo